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20 Fevereiro / Publicado em Nerdcine / Escrito por Gustavo Henrique

Mel Gibson, quando entrou no cenário cinematográfico, recebeu excelentes elogios de críticos de cinema, e muitas comparações com estrelas do cinema clássico. Em 1982, Vincent Canby escreveu que "Mr. Gibson lembra o jovem Steve McQueen… Eu não consigo definir a "qualidade de estrela", mas de qualquer maneira, Mr. Gibson a tem". Gibson também foi tido como "uma mistura de Clark Gable e Humphrey Bogart". A aparência do físico de Mel Gibson faz dele natural para papéis de filmes de ação, como na série de filmes "Mad Max", e na série de filmes "Máquina Mortífera". Depois, Gibson expandiu seus trabalhos para uma variedade de papéis, como Hamlet, e comédias como Maverick e Do Que as Mulheres Gostam. Seus maiores sucessos financeiros e artísticos vieram quando ele expandiu seu trabalho para a direção e a produção, como em O Homem Sem Face, em 1993, Coração Valente, em 1995, O Patriota, em 2000, Paixão de Cristo, em 2004, Apocalypto, em 2006 e Até o último homem de 2016.

A Warner quer o experiente ator e diretor como diretor da sequência de Esquadrão Suicida, você já deve tê-lo visto na frente da câmera, mas e como diretor? Vamos lá conhecer isso agora:

O HOMEM SEM FACE (1993)

Mel Gibson vive um professor que, após ter o corpo e rosto desfigurados em um acidente de carro, decide se isolar em uma ilha. Sua vida muda após conhecer o menino Chuck, com quem inicia uma forte amizade, o que desperta o preconceito e a especulação de todos.

Levando-se em consideração as polêmicas declarações homofóbicas que causaram extremo repúdio junto à comunidade gay no início da década de 90, não é de estranhar que, em sua estreia na direção, Mel Gibson tenha optado por atenuar - leia-se eliminar - todo o conteúdo homoerótico do romance de Isabelle Holland no qual é baseado o roteiro de Malcolm MacRury. Segundo suas palavras, a decisão veio da tentativa de transformar a história central de um menino em busca de uma imagem paterna em algo mais positivo, sem o peso (para ele desnecessário) de um subtema como pedofilia. Se isso é certo do ponto de vista ético - alterar tão radicalmente uma obra de arte a ponto de tirar-lhe o cerne - é uma discussão interminável, mas Gibson conseguiu, com seu primeiro filme realizar um trabalho digno e consistente, amparado por uma bela fotografia, uma trilha sonora emotiva e nunca invasiva e uma direção de atores de extrema competência.

CORAÇÃO VALENTE (1995)

A história de um herói escocês do século 13, chamado William Wallace, que lidera seus conterrâneos contra o monarca inglês Edward I, após ter sofrido uma tragédia pessoal causada pelos soldados ingleses. O exército amador de Wallace foi maior que o exército da Inglaterra.

As primeiras cenas já demonstram o cuidado do Gibson diretor, ao estabelecer, em poucos minutos, a personalidade de seu protagonista e sua relação com as demais personagens: ainda criança, o jovem William (interpretado pelo carismático James Robinson) perde o pai e vai morar com o tio, Malcolm (Sean Lawlor), que o ensina a ler, falar outras línguas e utilizar o cérebro com mais frequência do que a força física. Ao retornar ao vilarejo de sua infância (já na pele do Gibson ator), ele a encontra em crise, com a população revoltada com a lei da Primeira Noite, que dá aos nobres o direito de passar a noite de núpcias com as jovens noivas. A morte cruel de sua amada Murron (Catherine McCormack) o empurra indelevelmente à luta contra o governo inglês, na forma do déspota Edward Longshanks (Patrick McGoohan). Juntando um exército inferior em número mas superior em coragem e estratégia, Wallace torna-se uma lenda e desperta a paixão da princesa Isabelle (Sophie Marceau), nora do rei.

A PAIXÃO DE CRISTO (2004)

Nesta versão da crucificação de Cristo baseada no Novo Testamento, Judas agiliza a queda de Jesus entregando-o a oficiais do Império Romano escolhidos a dedo. Para horror de sua mãe Maria, de Madalena e de seus discípulos, Jesus é condenado à morte.

A fotografia espetacular de Caleb Deschannel, a trilha sonora discreta de John Debney e a maquiagem realista foram merecidamente indicadas ao Oscar. A decisão de Gibson de escalar um elenco sem nomes conhecidos – com exceção de Caviezel e da bela italiana MOnica Belucci como Maria Madalena – colaborou com a atmosfera realista imposta pela produção, que ainda por cima teve a suprema ousadia de ser falada em aramaico, latim e italiano – é sabido que filmes legendados afugentam plateias americanas. Ao fugir conscientemente do tradicional idioma inglês, o roteiro ganha em substância, densidade e verossimilhança. A ideia original de Gibson, de apresentar o filme sem legenda alguma, para que as imagens falassem por si mesmas felizmente foi abandonada, mas assistir a um filme falado na língua original de seus personagens não deixa de ser um prazer cada vez mais raro. E se não bastasse tudo isso, o cineasta ainda mostra uma sensibilidade única ao criar cenas pesadas com um fundo espiritual que foge admiravelmente dos clichês – a figura do Diabo, por exemplo, é um primor de criação, visual e psicologicamente.

No fim da civilização maia, sacrifícios humanos se tornam cada vez mais frequentes, na tentativa de aplacar a ira dos deuses. Um jovem guerreiro é capturado e, num ímpeto de bravura, empreende incrível fuga para salvar a mulher grávida e o filho.

Já chega a ser uma tradição – de Coração Valente, interpretado por ele mesmo, passando por A Paixão de Cristo e agora chegando a Apocalypto. Gibson é cru, como carne de açougue. Nota-se o gosto com que se detém em detalhes sanguinolentos e, em particular, cenas de torturas e execuções. Quer dizer, a situação atroz na qual o corpo humano se encontra passivo, à mercê dos algozes.

Sempre é possível argumentar que ele se limita a mostrar as coisas ‘como elas são’. A agonia de Cristo na cruz, mostrada em detalhes, teria valor moral, em especial para ele que se diz um cristão fundamentalista: mostrar, sem atenuantes, como Jesus sofreu ao morrer por nós. Essa lição pedagógica não teria o mesmo efeito com eufemismos, elipses e disfarces. Essa é a sua argumentação e poderia ser estendida ao retrato da civilização maia na qual, pelo que se sabe, sacrifícios humanos de fato aconteciam.

APOCALYPTO (2006)

ATÉ O ÚLTIMO HOMEM (2016)

Desmond T. Doss, um médico do exército que, durante a Segunda Guerra Mundial, se recusa a pegar em uma arma e matar pessoas. Porém, durante a Batalha de Okinawa ele trabalha na ala médica e salva mais de 75 homens, sendo condecorado, fazendo de Doss o primeiro Opositor Consciente da história norte-americana a receber a Medalha de Honra do Congresso.

O diretor abusa da violência (como em A Paixão de Cristo), mas a todo o momento parece criticar o horror da guerra – especialmente pelo contratempo representado pelo seu protagonista, Desmond Doss, desarmando em meio aquele caos.

Ao assistir à insanidade do campo de batalha e à coragem do soldado salvando seus colegas feridos, compreendemos porque era tão importante conhecer a história de sua família e de onde ele vinha – e quase conseguimos perdoar o filme pela sua hora inicial.

Quem consegue o perdão com o filme, é mesmo o diretor Mel Gibson, que, com garra e talento, volta a ser um nome influente em Hollywood.

NERDCINE

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26 anos. Formado em Artes Visuais, professor, pesquisador, graduando de processos químicos e, para consumo doméstico, violonista, desenhista, pintor, gamer, escritor e ávido leitor. Lembra da primeira ida ao cinema na infância e da mistura de situações e emoções que fizeram nascer a paixão por filmes que até hoje o acompanha.

Gustavo Henrique

Colunista / Coluna Nerdcine

O diretor Mel Gibson

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