
Para muitos brasileiros o Master System vai ter sempre um lugarzinho guardado entre os melhores consoles de todos os tempos, mas para os grandes mercados de games do mundo, ele passou praticamente em branco.
O Master System sempre esteve assombrado por seu rival de geração, o Nintendo 8bits, ele sofreu com as más distribuições, baixo apelo comercial e ainda teve um ciclo de vida bastante curto, pois ele foi rapidamente substituído pelo seu sucessor, o Mega Drive.

Desde o início a SEGA teve complicações para lançar um aparelho no mercado, para vocês terem uma ideia, para chegar ao Master System eles passaram por 3 etapas ou diria consoles que tiveram reconhecimento apenas no Japão. O primeiro foi o SG 1000 que até tinha um bom hardware para época, mas teve o azar de ser lançado no mercado junto com um aparelho bem mais poderoso, o Famicom, o console de 8 bits da Nintendo, empresa que instantaneamente virou sua rival. A Nintendo teve uma tática de Marketing bem mais agressiva e conseguiu dominar o mercado japonês sufocando as vendas do SG1000 e encostando-o nas prateleiras.

SG 1000
Tentando correr atrás do prejuízo a SEGA tratou de lançar no ano seguinte o SG1000 2 ou Mark 2, ele tinha porta de entrada para teclado e um monte de quinquilharias para tentar se diferencias de seu concorrente, a SEGA também tinha lançado um computador pessoal chamado SG 3000 e para unir essas duas plataformas e baixar o preço dos seus jogos, lançou o Card Catcher, um adaptador para o SEGA Game Card, uma espécie de cartucho que parecia um cartão de crédito.
SG 1000 II




Com um Hardware bem mais poderoso e ainda tinha suporte para 64 cores simultâneas, pois o futuro estava chegando e pra variar a SEGA deu o ponta pé inicial. Ele ainda era retro compatível com os jogos das plataformas anteriores e já vinha com entrada para os SEGA Cards.
A SEGA já era uma empresa com mais de 30 anos no mercado de jogos de vários tipos e com o boom dos ARCADES japoneses, conseguiu sucessos com títulos como Frogger e Zaxxon. Só que mesmo assim sua entrada no ramo de consoles caseiros foi bastante tímida.

SEGA MARK III
Mais a SEGA foi rápida em dar sua resposta definitiva ao Famicom: o Sega Mark 3 que foi lançado em 1985. Este novo console era uma versão vitaminada do SG 1000.
Tudo isso foi em vão e o SG 1000 2 acabou conquistando poucos fregueses e foi lançado apenas no Japão e na Austrália.




Com o sucesso de seu Mark 3 a sega estava se preparando para seu lançamento mundial mais os diretores de Markenting e Designers sugeriram uma mudança radical tanto no nome deixando mais adaptável para o mercado ocidental como também no design do console que até de branco ficou preto, surgindo assim o Master System, pronto para seu lançamento nos Estados Unidos, o maior mercado de games.


A Light Phaser, pistola que servia para alguns jogos onde o jogador podia atirar na TV, não era novidade, pois a Nintendo já tinha lançado a Zapper para o seu Famicom, porém essa criação não foi da Nintendo, pois esta tecnologia já existia no Odyssey. Agora o periférico mais notável sem dúvida foi o óculos 3D, ele foi lançado junto com o Master System, que trazia essas novidades, não foram muitos jogos, no entanto era curioso jogar os poucos que tinha e causou bastante euforia com o público que só veria essa tecnologia nas TV’s, 30 anos mais tarde.

O Master System até poderia ter conseguido um lugar melhor no mercado se não tivesse sido tão mal representado. Pois a SEGA estava com medo de encarar um território desconhecido e entregou os direitos de distribuição para Tonka, uma empresa que tinha um certo renome na área de brinquedos mais eram carrinhos de plásticos, não eletrônicos, aí já viu né?!
O que prejudicou foram as estratégias de Marketing que eram péssimas, sem falar que as propagandas só davam ênfase ao console e não o que mantem as vendas do consoles, os jogos, e assim acabou perdendo feio para Nintendo no mercado americano.

Para entrar no mercado Europeu e Oceania, a Nintendo entregou sua licença para a Matel, que fez um péssimo trabalho de divulgação. A SEGA aproveitou a brecha e chegou com tudo e a Europa se tornou um de seus mercados mais importantes, então eles perceberam que empresas de brinquedos não prestavam para trabalhar com vídeo games, isso fez com que a SEGA quase escolhesse a Gradiente para distribuir no Brasil, ao invés da outra empresa, uma novata no ramo eletrônico chamada, Tec Toy.

A Tec Toy já tinha conseguido um desempenho fantástico com as vendas de outro produto da SEGA, as pistolas Zillion, inclusive superando o Japão em vendas. Assim a SEGA fechou com a Tec Toy e selou uma parceria que dura até hoje fazendo o Brasil um dos maiores consumidores desse aparelho que é comercializado e relançado até hoje.


Infelizmente mesmo sendo lançado no Brasil, o Master System já estava com os dias contados no Japão. Tinha saído por lá o Pc- Enginie conhecido no ocidente como Turbo Grafx – 16, um console desenvolvido pela NEC e pela Hudson Soft que deu o pontapé inicial para a quarta geração de consoles, tirando do Master System o título de melhor Hardware do mercado.

Já tinha passado da hora da SEGA passar de vez dos seus concorrentes, toda essa pressão fez com que a SEGA desenvolvesse aquele que seria o seu console supremo, o Mega Drive.


HISTÓRIAS DOS GAMES
Como o Master System chegou no Brasil
21 Dezembro / Publicado em Historia dos Games / Escrito por Ivo Medeiros
O conteúdo das matérias veiculadas são de responsabilidade dos autores, uma vez que esse Portal é mero intermediário na comunicação digital.

Cearense, 37 anos, Design Industrial, publicitário, programador de jogos e Youtuber. Cursa Artes Visuais, é apaixonado por Games desde 1984, foi dono de locadora por 10 anos, adora jogos retros, é colecionador de vídeo games antigos e ultimamente segue seu sonho de um dia participar da criações de jogos.
